C a s c a i s 75
O primeiro dia do resto da nossa vida ...

março 04, 2005
  Imagens inéditas gentilmente cedidas por Carlos Gomes, organizador do concerto  




Carlos Gomes com Peter Gabriel





Peter Gabriel com a filha





Carlos Gomes e Carlos Pinto [chefe
da equipa de segurança]

a caminho d eum bar para beber um copo e relaxar, após o concerto da segunda
noite


Se queres ver mais
documentos inéditos,
aparece no Almoço de dia 6!

 
  como não queria perder nada fui os 2 dias  

Foi o meu 1º Concerto em Portugal e como não queria perder nada fui os 2 dias.
Foi o maximo ainda hoje fico arrepiada quando ponho o disco eu tinha comprado o duplo album nos Estados Unidos mas com o tempo os riscos já eram tantos que agora tenho o CD.Faz parte da minha história.

Acho que foi no 2º dia que o pessoal queria entrar e como já não havia bilhetes ,começaram a forçar a entrada e de repente a meio do Concerto começaram a partir as placas do telhado (acho eu ) e começou toda a gente a fugir eu lembro-me que cai e fiquei com o pé preso nas cadeiras no meio da confusão, até foi giro que eu saiba ninguem se ferio. E o concerto continuou na boa. A minha amiga Tó com quem eu tinha ido estava aflita pelo facto de eu ter ficado presa na cadeira ,mas a seguir sentamo-nos de novo a ver o resto do espetaculo sem mais problemas .
Já li nos vossos comentarios algures num jornal a falar que o pessoal tomava pastilhas como robuçados ,nada disso foi super saudavel a unica coisa que o pessoal fazia nessa altura era fumar uns charros e ir curtir a musica.Ainda vejo o Peter Gabriel naquele palco vestido com um fato de bolas foi de mais.

Tem graça ,que eu moro em Cascais por isso passo milhares de vezes em frente ao Pavilhão e os meus filhos já não me podem ouvir ,porque sempre que ali passo me lembro desse concerto e lhes digo que talvez por ter sido o 1º mas foi o melhor concerto que eu assisti na minha vida ou pelo menos o que mais me marcou .Acho o maximo esta vossa ideia de relembrar os 30 anos do que para mim e muita gente da minha geração foi um concerto que nos marcou a todos.

Não me lembro de muita coisa porque tambem não é suposto lembrar,se é que me entendem,mas que adorei e fui os dois dias isso eu lembro e que a musica e o espetaculo foram o maximo isso não tenho a menor duvida.
Só tenho pena que o Peter Gabriel tenha saido da banda.
A influencia que a musica dos anos 70 teve em nos foi tão forte e era tão boa que hoje os meus filhos ouvem Genesis ,Stones ,Pink Floyd etc..

Obrigada pela vossa ideia deste evento

Maria

 

março 01, 2005
  Programa para o dia 6 de Março  

[DOWNLOAD DO DOCUMENTO]

13.30 H Almoço
15.00 H Apresentação DVD
15.40 H Debate com Micro a passar de mão em mão + Leilão
16.00 H Lançamento CAIS
16.30 H Visita ao Pavilhão
17.00 H Encerramento

Reportagem Video:
João Abel

Fotografias:
Fabrizio , Diana , Sérgio


MENU

Buffet Salgado

- Borrego assado no forno c/ batatinhas

- Filetes de linguado com molho à normanda ( molho à base de limão e natas com mexilhão, gambas e cogumelos frescos)

- Diversos acompanhamentos e saladas

- Como sobremesa: bolos de chocolate e pratos de frutas variadas

 
fevereiro 25, 2005
  Set for "The Lamb Tour"  

Phill Collins drum set for "The Lamb Tour"



Steve Hackett guitars set for "The Lamb Tour"

 

fevereiro 21, 2005
  O resto – como diria Ringo Starr - "é história"!  

Nesse dia 7 de Março, fui violentamente acordado pelo meu primo, às 11 da manhã. Ele tinha ido ao primeiro dia, e ficou tão doido que quis ir ao segundo, mesmo sem bilhete – o que acabou por conseguir.

Depois de uma passagem pelo Liceu Camões, para reunir o bando (sem raparigas...) fomos logo para Cascais! Aliás passou a ser assim, daí para o futuro, mas com raparigas...

Chegámos ao pavilhão às 14 horas e não arredámos pé. Eu tinha bilhete para a bancada, pois nesse tempo, os 120 escudos para a plateia (60 cêntimos actuais!) era muita massa. A meio da tarde ouviu-se um trovejar de bateria lá dentro. Foi a loucura. «É o Phil Collins!». Nunca se soube. Provávelmente seria apenas um dos roadies a fazer correcções de som. A certa altura, um dos portões entreabriu-se e deu para espreitar pela nesga. O palco era bastante alto, e nesse breve segundo deu para ver que a bateria – enorme, muito mais artilhada que um kit convencional – era de madeira amarelada. Nada mais.

Formou-se uma enorme bicha pouco depois das cinco da tarde. Às 19h abriram as cancelas. Como estávamos bem colocados, percipitámo-nos para uns "lugares pré-marcados" já nossos conhecidos dos festivais de jazz – o tecto das cabines de som/tribunas – encostados aos varões, com vista privilegiada (mas não estereofónica; isso era só para os endinheirados da plateia) do palco, que na altura era considerado gigantesco! E ali ficámos a contemplar o nosso altar. Uma das coisas que parece ridícula vista de 2005 é que "as colunas de som são quase maiores que um homem!" - uma loucura! Aliás, os jornais da época acesos pelo "período revolucionário em curso" cascaram naquilo sem piedade com opiniões do tipo "A electrónica ao serviço da alienação da juventude!", e uma frase que nunca esqueci: "Até a bateria tinha microfones!" (Hoje em dia, até numa salita pequena, como o Santiago Alquimista, a bateria é amplificada) Na altura isso era considerado abominável! Quem escreveu isso não frequentava os festivais de jazz. É claro que a bateria tem que ter microfones num espaço daqueles! Só que desta vez tratava-se de rock "sem vassouras", eventualmente mais "violento". Aliás, logo a seguir ao primeiro "lies down", deu para conferir que fora o anjo Gabriel, "o baterista era espectacular!"

Ali ficámos um par de horas, a ver o pavilhão encher como nunca. De vez em quando, um roadie no palco a colocar alguma guitarra, causava algazarra em toda a sala. Já perto da hora, deu para perceber que estava tanta gente lá fora como a que estava lá dentro. Filas de homens a suar tentavam conter a pressão nos portões recorrendo a enormes traves. O ambiente estava ao rubro. Cheirava a erva em toda a parte. Aliás, calcula-se que o consumo desse "perigosíssimo produto estupefaciente", tenha ultrapassado os quatro kilos, nos dois dias! (quanto a mim, nunca menos de dez!)

O concerto já estaria prestes a começar, e os técnicos já estavam a postos nas mesas de controlo, quando homens, traves e portões cederam. O formigueiro de gente que entrou (no meio das quais andaria o meu primo) era só comparável a um líquido que penetra em todas as frechas dum espaço "vazio", e foi uma demência! A gritaria dos que entravam triunfantes e dos que esperavam ansiosos era infernal. E para tentar pôr um pouco de ordem naquele mar de gente, os operacionais do COPCON começaram a fazer disparos para o ar. E foi justamente nessa altura de caos psicodélico que os ingleses, com a pontualidade do Big Ben apagaram as luzes. O concerto começou! São eles, lá em baixo! O resto – como diria Ringo Starr - "é história"!

P.S. Foi o delírio total, e a música mal se ouvia. "Fly on a windshield" positivamente não se ouviu, e o grupo, porventura ouvindo-se mal, no meio daquela algazarra, muitas vezes pediu aos microfones «Ssshhhhhh...».

Gimba

 
fevereiro 18, 2005
  Informações sobre o Almoço  

ALMOÇO

DIA 6 DE MARCAÇÃO DE 2005, 13H

CENTRO CULTURAL DE CASCAIS
Av. Rei Humberto II de Itália, S/N
2750-641 Cascais
Tel.: 21 484 89 00
PREÇO: 30€


MARCAÇÕES PARA
210 807 141 [EXTRAMUROS[,

OU PARA O TM. 91 877 07 57

PAGAMENTO
Hipótese 1: Transferência bancaria para NIB 0033 00000 10 91 780 557 10
[TRAZER COMPROVATIVO NO DIA]

Hipótese 2: Envio de cheque para Rua da Bela vista 110, 4º A2825-111 Monte de Caparica

DATA LIMITE DAS MARCAÇÕES
4 DE MARÇO DE 2005
 
fevereiro 16, 2005
  Foi o meu primeiro concerto  

Foi o meu primeiro concerto. Luzes, tinha-as de «Selling England By The Pound», disco anterior que primas mais velhas tinham trazido de Inglaterra. Acompanhantes tinha o meu irmão mais velho e os meus pais. Tinha 8 anos a fazer nove um mês depois.

Vi o concerto às cavalitas de um freak que pegou em mim quando toda a gente se pôs em pé em cima das cadeiras, na plateia. Fomos no primeiro dia e ainda bem porque no segundo a Copcon apareceu sem ser convidada...

Esse espectáculo mudou a minha vida, e indicou-me uma opção profissional alternativa. Embora estranhasse o facto de Steve Hackett tocar sentado, as imagens do concerto que ficaram são muito fortes: o cone iluminado de «The Carpet Crawl», o duplo (manequim) de Gabriel/Rael em cantos opostos do palco, «The Light Lies Down...» com Gabriel a exibir o colorido interior do seu manto...

A partir daí fui a todos os concertos seguintes no Pavilhão de Cascais, mesmo de grupos que não conhecia na altura, como os Amon Dull II e os Pulsar... O ritual fascinava-me, e chegava a ir horas antes para a fila e depois regressar com histórias de investidas policiais para contar.

Engraçado como já na altura o Jorge Lima Barreto se referia aos Genesis como pop...

M.Angelo

 
fevereiro 14, 2005
   

Programa do Evento
(clicar em cima para ver)

(i) INTRO and the lamb


(ii) Objectivos


(iii) Programa


- Almoço-Encontro
- Revista-Cais
- DVD-Documentário

 
fevereiro 11, 2005
  Tenho para contar aos filhos e aos netos, aliás, a minha filha já ouve Genesis.  

Tinha então 17 anos. O Verão quente avançava vertiginosamente. A fazer o 7º ano no D. Pedro V, em Lisboa, a confusão era mais que muita. Ouvia-se e tocava-se furiosamente rock progressivo. Os Genesis, claro, eram uma das referências. O LLDOB, obviamente, circulava intensamente.

Resolvo levar o meu irmão, um puto de 12 anos ao concerto. Fomos no segundo dia, também, o dia de The Musical Box. Não irei descrever o concerto, já perfeitamente retratado por outros. Direi que, como todos, começámos sentados, depois de pé, depois de pé nos assentos das cadeiras e, no fim, sobre as costas das cadeiras e eu, em equilíbrio precário, a aguentar o meu irmão no ar nesta pose. Ainda consegui, no meio de tudo isto, estoirar um rolo inteiro de slides, dos quais muito poucos ficaram visíveis (e, mesmo assim, mal), apesar do Ektachrome 250 "puxado" para 500 ASA. Por sorte estávamos bem situados, ligeiramente à esquerda e muito à frente, o que nos deu uma visão gloriosa de todo o espectáculo.

Obviamente nunca mais fomos os mesmos. E o puto de 12 anos, hoje com 42, foi quem me pôs na pista deste blogue. A 6 de Março lá estaremos.

Armando Brito de Sá



Eu estive lá, com 12 anos de idade, às cavalitas do meu irmão Armando, que teve a feliz iniciativa de me levar.

Com chaimites e polícia cá fora, tipos guedelhudos e oleosos, tal como eram as coisas em 1975, sentia-se adrenalina e ventos de mudança no ar. A malta estava ávida de coisas diferentes e de beber, até ao último trago, tudo aquilo que raramente atravessava a fronteira.

Mas este grupo era, de facto, diferente: tinha força e jorrava emoções que mexiam connosco.

Estive na segunda noite, a do Musical Box, no encore. Now, now, now, now, now...ainda me arrepio, só de pensar. Por incrível que pareça, o Peter Gabriel olhou-me, a certa altura, fixamente, por uns segundos, pois eu estava muito próximo do palco, elevado às costas do meu irmão, e deve ter pensado "o que faz este puto aqui...". Nunca esqueci essa imagem, pois tinha os olhos azuis vivos, realçados por tinta preta, na sua representação de Rael.

Essa noite marcou-me, definitivamente. Estes fulanos entraram nas nossas vidas, graças ao seu talento inigualável, e ainda hoje sou surpreendido, cada vez que ouço em qualquer disco. Por mais voltas que dê, e escuto muita coisa diferente, volto sempre às origens...

Tenho para contar aos filhos e aos netos, aliás, a minha filha já ouve Genesis.

Carlos Brito de Sá, 42 anos

 
fevereiro 09, 2005
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janeiro 31, 2005
  Confirmação do Contrato  


Confirmação do Contrato
Confirmação do Hotel
[Clicar nas imagens para aumentar]

Confirmação do Contrato do
concerto dos Genesis em Cascais

Cedido por Ivan Hancock,
organizador do concerto no Pav. Cascais.

 
janeiro 29, 2005
  Genesis, 75  

Concerto em cascais dos GENESIS claro que fui!!! Os 2 dias claro com bilhetes falsificados. Anos 70, anos de boas colheitas psicadélicas materiais e espirituais; para as acompanhar ouvia-se para viajar nos espaços tempos GENESIS YES KING CRIMSON GENTLE GIANT. BOM ainda hoje quando ponho o duplo álbum (The Lamb Lies D.B.)estou dentro do pavilhão.

Havia pouco dinheiro, fizemos uma vaquinha e compramos 2 bilhetes (1 para cada dia) a seguir falsificação em massa para o pessoal todo. Só muito poucos sabiam que iriam com bilhetes falsificados.

1º dia fui com pessoal mais chegado (bilhetes brancos com carimbo vermelho) entramos com o espirito muito muito muito elevado começamos logo por distribuir pelo pessoal que estava encarregue das luzes e slides tochas de "tabaco angolano misturado com pólen marroquino" para atinarem...(estavam a trabalhar).Plateia pessoas a quererem os lugares marcados. EH EH iam dar uma volta. NÃO HÀ LUGARES MARCADOS. ESPECTÁCULO DE LUZ SOM CENARIO DE OUTRO MUNDO pavilhão cheio. Toda a gente mesmo muito pedrada sem excepção. Não era impressão minha. Pelo menos numa área de 5 metros. Sem querer encarregavamo-nos disso.

2º dia fui com outro grupo em que só 2 pessoas sabiam dos bilhetes falsificados toda a gente entrou. Calculo que a pessoa que estava a cortar bilhetes tenha ficado com as mãos amarelas. Pintamos os bilhetes com guache amarelo. Foi um espectáculo inesquecível. As pessoas que iam comigo eram muito mais velhas mas foram todas baptizadas apanharam grandes pedras e gostaram. Ainda hoje revejo o Gabriel a sair do útero da mãe terra ou a apanhar banhos de luz azul.

FOI O MAIOR E MELHOR ESPECTACULO DA MINHA VIDA
E JA VI ALGUNS INCLUSIVÉ 1ª FESTIVAL JAZZ CASCAIS

UM ABRAÇO

José Maria Cuiça Medeiro
 
janeiro 27, 2005
  "Crónica de um Dia"  

É domingo, é o único dia em que um gajo pode vaguear pelas
ruas sem que haja razão para um qualquer hipócrita, manhoso, invejoso dos quatro costados nos mirar, com ar de reprovação, mesmo com vontade de nos atirar:

- vai trabalhar! Malandro...

De véspera alegrara-me com o facto de no dia seguinte não ter que me levantar à pressa, a fim de não chegar atrasado ao serviço. De resto, a conversa na oficina era sempre a mesma:

- pá, isto está cada vez pior, o patronato anda a boicotar o serviço, um
dia destes não temos carteira de encomendas...

- Não temos quê? Óptimo, assumimos o controlo operário, em autogestão. Tou desconfiado que também és bufo...

- É, e os gajos do escritório? Alinham, hum...

Por isso, ao domingo, há um ror de coisas a fazer que, por ser dia livre da oficina, teria de executar. No entanto, talvez por isso, não tinha coragem de mexer o que seja, nem tomar banho, quanto mais abrir uma garrafa de leite e trincar uma carcaça de dois dias...

[ Ler Mais ]
 
dezembro 22, 2004
  A Arte e a Liberdade são os melhores amigos...  




 
dezembro 21, 2004
  OUVIMOS, SENHOR  

Regressou um homem bom.
Inteligente, genial, fraterno e solidário.
Tão longe e aqui e tão perto aquele 1975 no Pavilhão do Dramático de Cascais. Até aos dias de hoje, terá sido o melhor concerto de sempre no nosso País. Era o tempo de "The lamb lies down on Broadway" e o fim de um ciclo liderando os Genesis, com o Phil, o Steve, o Mike e o Tony. Para trás, entre outras, "The knife" e "The musical box". Uns anos mais tarde, já a solo, e tivemos "Solsbury hill", "Games without frontiers" e "Biko". Regressas agora, numa colectanea representativa dos 25 anos de carreira a solo.
Para mim, inglês, não conheço melhor, apesar de Lennon, de Jagger, de Richards, de Clapton, de Hammill, de Fripp, de Waters.
Pouco cabelo, branco, pera, também branca, pareces um tipo respeitável.
És um tipo deveras respeitável.
No DN MAIS de hoje, gostei muito de te rever.
Porque ouvir, raro é o dia sem ti.


Aquele abraço, Peter Gabriel.


Publicado por Killer Sentimental - Sintra Gare Blog - Dezembro 19, 2003
 

dezembro 01, 2004
   




João Alves da Costa
Droga e Prostituição em Lisboa
Livraria Bertrand
Lisboa, 1976
Página 83
 
novembro 30, 2004
   


João Alves da Costa
Droga e Prostituição em Lisboa
Livraria Bertrand
Lisboa, 1976
Página 49
 
novembro 26, 2004
  Eu estive lá.  



 

novembro 16, 2004
  O testemunho que se segue é uma visão imediatista, assumidamente subjectiva e orgulhosamente parcial de um dos participantes nesse dia inesquecível  

O duplo concerto dos Genesis, em Cascais, em 6 e 7 de Março de 1975, marcou uma geração de jovens que vieram de todo o país para assistir ao primeiro grande espectáculo de rock realizado em Portugal. Na altura, a banda atingira o ponto mais alto do seu período criativo, tornara-se um ícone para os fãs do rock progressivo que, naturalmente, se consideravam o máximo em matéria de bom gosto musical.

O testemunho que se segue é uma visão imediatista, assumidamente subjectiva e orgulhosamente parcial de um dos participantes nesse dia inesquecível.

Março de 1975. Portugal está ao rubro, em pleno PREC – processo revolucionário em curso. No dia 3, o jornal “A Capital” trazia a manchete: “CIA planeia golpe em Portugal antes do fim de Março”. Um comício do Partido da Democracia Cristã (PDC), no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa, é boicotado por manifestantes de extrema-esquerda. Uma vintena de liceus estão em greve. Não é o caso do Pedro Nunes – com certeza as reivindicações já tinham sido atendidas – onde dia sim, dia sim, havia recontros entre estudantes alinhados com o MRPP, os diferentes grupos m-l que vieram a formar a UDP, a UEC (PCP) e o PPD (o CDS tinha sido proibido no liceu no início do ano lectivo).
Mas no fim da semana que antecedeu o golpe militar de 11 de Março (na terça-feira seguinte) houve umas tréguas inesperadas. Na sexta-feira, dia 7, não houve arraial de pancadaria no Pedro Nunes. “Comunas” e “fachos”, que poucos dias antes atiravam paus e pedras uns aos outros, mostravam uma estranha cumplicidade. Logo a seguir ao almoço, vários grupos saíram do liceu. Iam apanhar o comboio ao Cais do Sodré, a Santos ou a Alcântara, a caminho de Cascais. Nessa noite realizava-se o segundo e último concerto da banda de rock progressivo mais amada daquele tempo – de todos os tempos – os Genesis!
Os mais avisados levavam farnel, incluindo umas Sagres – não era proibido vender álcool a menores de 16. Mas o tesouro mais precioso era o bilhete. O meu, comprei-o com semanas de antecedência na agência ABEP, nos Restauradores, custou-me 88 escudos (incluindo 10 por cento da taxa de agência) e garantiu-me um lugar na Bancada B.
A viagem foi tremenda. Apesar de ainda haver primeira e segunda classe na Linha do Estoril, entrámos na carruagem mais à mão e, mesmo assim, viajámos como sardinha em lata. Na estação de Cascais, a multidão espraiou-se pela vila, subindo a colina até ao Pavilhão do Dramático. A tarde foi passada no jardim vizinho, a comer o farnel e à espera que abrissem os portões. Aqui e além, um cheirinho denunciava os grupos onde se fumava substâncias ilegais. À medida que a hora do concerto se aproximava, chegava cada vez mais gente. Formaram-se bichas, começaram os empurrões. Polícia, nem vê-la – em plena revolução ninguém lhe ligava. Quando a confusão já era grande chegou a tropa, o COPCON (Comando Operacional do Continente). Os soldados, muitos de camuflado, como se usava na altura, tentaram pôr ordem nas hostes mas, apesar dos tiros de G-3 - primeiro isolados, depois de rajada - acabaram por deixar entrar no pavilhão dezenas que não tinham bilhete. Reza a lenda que, nos bastidores, Peter Gabriel ficou assustado – tinha levado a filha bebé.

Uma eternidade depois da hora marcada (nove e meia), a plateia, enfim mais sossegada após os que tinham pago os 120 esc. de bilhete terem “concordado” em partilhar as costas das cadeiras com os borlistas, deixaram de se ouvir os tiros (sempre para o ar - não me lembro que se tenha falado de feridos).
As luzes apagam-se. Ouvem-se os acordes de piano. O palco enche-se de fumo branco. “And the lamb lies down...” Milhares de gargantas que fazem o pavilhão rebentar pelas costuras abafam a voz de Peter Gabriel: “... on Brooooooadway”.

Estavam ali, em carne e osso, os cinco magníficos. À esquerda do palco, Steve (Hackett) sentado com as guitarras acústicas e eléctricas, muito concentrado, o atinado da banda. A seguir, Mike (Rutherford), com o cabelo muito comprido, ora sentado ora de pé, com o baixo e a guitarra de dois braços. Ao centro, na monumental bateria, Phill (Collins), só de bigode - cortou a barba para o concerto: à chegada a Lisboa ainda tinha barba comprida -, t-shirt encarnada com mangas brancas, auscultadores nos ouvidos, indispensável nos ‘backing vocals’ (tinha cantado a solo em “More Fool Me”, o último tema do lado 1 do álbum “Selling England By the Pound”, de 73, um prenúncio do que viria a acontecer com a saída de Gabriel, precisamente depois da digressão de “The Lamb”...). À direita do palco, Tony (Banks), numa “ilha” com as teclas - órgãos, sintetizadores, piano. Last but not least, Peter (Gabriel), de cabelo mais curto, um look que contrastava com a imagem que tínhamos dele - o cabelo comprido com uma pelada no meio, como aparecia nas fotos dos discos anteriores. Blusão de cabedal preto, t-shirt branca, olhos pintados de preto: I’M RAEL!

Depois... bem foram para aí umas duas horas noutra dimensão, que deixaram flashes inesquecíveis ao fim de 30 anos:
O carro no palco em “Fly on a Windshield” (“There’s something solid forming in the air...”).
Peter de tronco nu a correr pelo palco em “Cuckoo Cocoon”.
A dança hipnótica de Gabriel dentro de uma espécie de biombo giratório em “In the Cage” (“Keep on turning...”).
O delírio geral quando chegou a altura de “Counting Out Time”: era a cantiga mais conhecida porque tinha sido editada em single (para os menores de 30: na era do vinyl, um single era um disco de 45 rotações, com uma música de cada lado; os álbuns eram maiores, rodavam a 33 r.p.m.... e eram mais caros); além disso, tinha a letra mais ousada, sobre o uso de um manual para os preliminares, e um verso maroto: “Erogenous zones, I love you!” Peter, endiabrado, acompanhava o canto com a pandeireta.
Em “The Colony of Slippermen”, Gabriel aparecia caracterizado como um mutante, cheio de bolhas, representadas por balões. Um dos balões, precisamente no baixo ventre, não queria encher, depois encheu de mais e por fim rebentou, para gáudio dos mais atentos.
No grande final, em “It”, um jogo de espelhos faz magia: Gabriel/Rael aparece em dois lados do palco ao mesmo tempo.
Para acabar em beleza, esperávamos dois encores (no concerto da véspera tinha sido “Watcher of the Skies”, do álbum “Foxtrot”) mas, provavelmente por causa da confusão que antecedeu o espectáculo, só tivemos direito a um. Mas que encore: logo um dos temas de culto (afinal, não são todos?) da banda: “The Musical Box”, do álbum “Nursery Crime”, com Peter maquilhado como se fosse o velho Matusalém a fazer vibrar a multidão com o verso de despedida: “Touch me now, now, now...”

Eu tinha 14 anos mas, ao contrário de Paul Nizan, já tinha a certeza de que aqueles tinham sido dos melhores momentos do resto da minha vida.

João Ferreira (JP em 1975), 44 anos.
 


 

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Dias 6 e 7 de Março de 2005 passam trinta anos sobre o duplo concerto dos Genesis, em Cascais. 20 000 pessoas, em dois dias, assistiram a um acontecimento histórico que marcou uma geração de jovens que vieram de todo o país para assistir ao primeiro grande espectáculo de rock realizado em Portugal.

Para celebrar este momento único da música e da cultura vamos reunir-nos de novo.

Até lá, envia um testemunho, uma memória... para este blog.

Até Março de 2005

P'la Comissão de organização
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