C a s c a i s 75
O primeiro dia do resto da nossa vida ...

fevereiro 21, 2005
  O resto – como diria Ringo Starr - "é história"!
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Pois é.... até fiquei arrepiado (com pele de galinha) só de ler a prosa de alguém que viveu como eu intensamente aquele momento.
Fui um dos felizardos que assistiu no primeiro dia ao concerto, inclusivamente fui um dos primeiros a entrar, pois abanquei junto ao prtão de acesso às bancadas laterais (do ,ladop direito para quem estava virado para o palco.... impressionante para um jovem da provincia... o palco era gigantesco para aquela época... em pouco tempo om pavilhão estava cheio... e aí começaram os problemas: muitos jovens forçaram a entrada pelo fundo do pavilhão, partindo os vidros das janelas de iluminação do recinto, entravam de cabeça pelo buraco e deixavam-se cair literalmente sobre a multidão que já enchia o recinto. Eu estava a meido da bancada e presenciei todo esse espectáculo, incluindo a entrada das tropas no interior do pavilhão onde inclusivamente se houviram tiros... foi uma autentica loucura para a época.
Gostaria de comentar mais... como por exemplo após o concerto, na estação de Cascais, as caixas automáticas de pastilhas elásticas terem sido destruidas para "matar a fome" pois não havia nada aberto e o pessal tinha passado muitas horas sem comer... mas não tenho mais tempo por hoje.

Um abraço
RPinto
rpinto.ncg@netcabo.pt
 
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Nesse dia 7 de Março, fui violentamente acordado pelo meu primo, às 11 da manhã. Ele tinha ido ao primeiro dia, e ficou tão doido que quis ir ao segundo, mesmo sem bilhete – o que acabou por conseguir.

Depois de uma passagem pelo Liceu Camões, para reunir o bando (sem raparigas...) fomos logo para Cascais! Aliás passou a ser assim, daí para o futuro, mas com raparigas...

Chegámos ao pavilhão às 14 horas e não arredámos pé. Eu tinha bilhete para a bancada, pois nesse tempo, os 120 escudos para a plateia (60 cêntimos actuais!) era muita massa. A meio da tarde ouviu-se um trovejar de bateria lá dentro. Foi a loucura. «É o Phil Collins!». Nunca se soube. Provávelmente seria apenas um dos roadies a fazer correcções de som. A certa altura, um dos portões entreabriu-se e deu para espreitar pela nesga. O palco era bastante alto, e nesse breve segundo deu para ver que a bateria – enorme, muito mais artilhada que um kit convencional – era de madeira amarelada. Nada mais.

Formou-se uma enorme bicha pouco depois das cinco da tarde. Às 19h abriram as cancelas. Como estávamos bem colocados, percipitámo-nos para uns "lugares pré-marcados" já nossos conhecidos dos festivais de jazz – o tecto das cabines de som/tribunas – encostados aos varões, com vista privilegiada (mas não estereofónica; isso era só para os endinheirados da plateia) do palco, que na altura era considerado gigantesco! E ali ficámos a contemplar o nosso altar. Uma das coisas que parece ridícula vista de 2005 é que "as colunas de som são quase maiores que um homem!" - uma loucura! Aliás, os jornais da época acesos pelo "período revolucionário em curso" cascaram naquilo sem piedade com opiniões do tipo "A electrónica ao serviço da alienação da juventude!", e uma frase que nunca esqueci: "Até a bateria tinha microfones!" (Hoje em dia, até numa salita pequena, como o Santiago Alquimista, a bateria é amplificada) Na altura isso era considerado abominável! Quem escreveu isso não frequentava os festivais de jazz. É claro que a bateria tem que ter microfones num espaço daqueles! Só que desta vez tratava-se de rock "sem vassouras", eventualmente mais "violento". Aliás, logo a seguir ao primeiro "lies down", deu para conferir que fora o anjo Gabriel, "o baterista era espectacular!"

Ali ficámos um par de horas, a ver o pavilhão encher como nunca. De vez em quando, um roadie no palco a colocar alguma guitarra, causava algazarra em toda a sala. Já perto da hora, deu para perceber que estava tanta gente lá fora como a que estava lá dentro. Filas de homens a suar tentavam conter a pressão nos portões recorrendo a enormes traves. O ambiente estava ao rubro. Cheirava a erva em toda a parte. Aliás, calcula-se que o consumo desse "perigosíssimo produto estupefaciente", tenha ultrapassado os quatro kilos, nos dois dias! (quanto a mim, nunca menos de dez!)

O concerto já estaria prestes a começar, e os técnicos já estavam a postos nas mesas de controlo, quando homens, traves e portões cederam. O formigueiro de gente que entrou (no meio das quais andaria o meu primo) era só comparável a um líquido que penetra em todas as frechas dum espaço "vazio", e foi uma demência! A gritaria dos que entravam triunfantes e dos que esperavam ansiosos era infernal. E para tentar pôr um pouco de ordem naquele mar de gente, os operacionais do COPCON começaram a fazer disparos para o ar. E foi justamente nessa altura de caos psicodélico que os ingleses, com a pontualidade do Big Ben apagaram as luzes. O concerto começou! São eles, lá em baixo! O resto – como diria Ringo Starr - "é história"!

P.S. Foi o delírio total, e a música mal se ouvia. "Fly on a windshield" positivamente não se ouviu, e o grupo, porventura ouvindo-se mal, no meio daquela algazarra, muitas vezes pediu aos microfones «Ssshhhhhh...».

Gimba

 


 

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Dias 6 e 7 de Março de 2005 passam trinta anos sobre o duplo concerto dos Genesis, em Cascais. 20 000 pessoas, em dois dias, assistiram a um acontecimento histórico que marcou uma geração de jovens que vieram de todo o país para assistir ao primeiro grande espectáculo de rock realizado em Portugal.

Para celebrar este momento único da música e da cultura vamos reunir-nos de novo.

Até lá, envia um testemunho, uma memória... para este blog.

Até Março de 2005

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